sexta-feira, 29 de abril de 2011

Querido diário de Pablo 7 [A Primeira Namorada]

Pablo nunca foi um aluno muito estudioso, mas sempre se interessou muito pelas aulas de matemática, o que fazia com que, sem muito esforço, ele se destacasse na matéria. Costumava sempre ser o melhor com números da turma.
Um dia, sem prévio aviso, Pablo chegou na sala e encontrou a turma fazendo uma prova, a professora explicou que era uma olimpíada nacional de matemática, e mesmo que não valesse ponto, era muito importante. Ele fez, e como era de se esperar, foi o melhor de sua escola, passando assim para a segunda fase. Sua mãe ficou muito orgulhosa e cobrava para que ele se preparasse para a tal.
- Pra que?! Ganhar um aperto de mão de alguém importante e um bouquet de flores? isso eu dispenso.- ele dizia.
Mas Pablo fez a prova, não se preparou e ainda assim passou. Foi um dos cem primeiros colocados do país, o que fez com que ganhasse uma medalha de "ouro" e uma viagem para o tão distante Rio de Janeiro, que ironia.
Pra quem achou que ganharia um bouquet e um aperto de mão, até que não era nada mal, ainda que ele ficasse hospedado no hotel Novo Mundo, no bairro do Flamengo a trinta minutos de casa.
Os premiados ficariam cinco dias no hotel com tudo pago, exceto os próprios moradores do Rio que poderiam ficar apenas três, Pablo estava nesse grupo.
O primeiro dia foi bem estranho, dormir em um quarto pequeno com dois outros marmanjos que nunca vira na vida não era uma ideia tão agradável, mas logo se enturmou. Não sairam do hotel aquele dia.
No segundo dia foram todos convidados a "conhecer" o corcovado e a orla. Não teve nada de suma importância, sempre fora um frequentador assíduo de praias e além de já conhecer o cristo, não via nada de mais nele.
Voltaram para o hotel antes do anoitecer e assim que caiu a noite fora anunciada uma visita repentina a um museu que ficava ao lado do hotel, ele nem queria ir, até saber que depois aconteceria uma festa, ainda que fosse uma festa de nerds, era uma festa!
A visita ao museu foi terrivelmente chata, como já era de se esperar, mas na festa ele viu uma garota que ainda não tinha notado, o que era muito estranho, porque ela era linda.
Seu nome era Noele, ele ouviu enquanto ela conversava com um de seus amigos, não perdeu tempo para entrar na conversa e logo ficou encantado. Descobriu que não a havia notado por ela ter acabado de chegar, morava no rio e estava ali por ter feito a mesma prova que ele.
Pablo não estava com a auto estima muito alta, tinha a cabeça raspada e muitas espinhas na época, mas mesmo assim conseguiu cativar Noele.
A festa acabou cedo, a maior parte dos convidados, inclusive Pablo e Noele, era menor de idade. Quando subiam para seus quartos trocaram telefones e o próprio número do quarto, "1012" ele levou tempo para esquecer esse número.
No meio da noite o telefone do quarto de Pablo tocou, não foi ele quem atendeu, mas desligaram sem dizer nada, meses depois descobriria que era Noele querendo convidá-lo para uma social em um dos quartos, mas por não ter sido ele quem atendeu, ela desistiu.
No terceiro e último dia não se falaram muito, o dia foi corrido, pela manhã visitaram o IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada), almoçaram em um clube próximo, o que lhes deu um pouco de tempo para conversar e foram para a premiação no teatro municipal com a ilustre presença do então presidente da república Luiz Inácio Lula da Silva. Lula entregou a medalha para os premiados de Minas Gerais e Pablo teve que se contentar em apertar a mão do então governador do estado Sergio Cabral.
A premiação acabou e Pablo não conseguiu se despedir como gostaria de Noele, mas semanas depois ela o telefonou e marcaram de sair.
Essa foi a história de como Pablo conheceu sua primeira namorada, espero que tenham gostado.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Querido diário de Pablo 5 [Ainda Carnaval]

A mãe de Pablo ficou irada com o que achou em sua sala assim que acordou. Não era para menos, havia um longo cigarro de maconha com a ponta queimada.
- VOCÊ PODE ME EXPLICAR ISSO?- Foram as primeiras palavras que Pablo ouviu no seu terceiro dia de carnaval.
- ... - Ele abriu os olhos e tentou entender o que estava acontecendo - O que é isso?
- VOCÊ SABE MUITO BEM O QUE É ISSO, EU QUERO SABER COMO VEIO PARAR NO CHÃO DA NOSSA SALA!
- Deve ter caido da Jéssica.- Ele não conseguiu pensar em nenhuma outra pessoa, então de fato entregou a dona do tal cigarro.
- E O QUE A JÉSSICA ESTAVA FAZENDO AQUI EM CASA?! - A mãe de Pablo não tolerava que levassem mulheres a sua casa para "tais atos", a casa para ela era um templo sagrado que em hipótese alguma poderia ser "poluído".
- Encontramos ela jogada na rua, completamente embriagada, trouxemos ela aqui, ela tomou banho e foi pra casa.- Pablo falou sem respirar, sem gaguejar e com uma tranquilidade que tranquilizaria um homem bomba a dois segundos de detonar.
Sua mãe acabou acreditando no que de fato não era 100% mentira. Ter aumentado o número de pessoas na história ajudou com que sua mãe acreditasse e um vômito mal limpo em seu banheiro confirmou a história.
O que parecia um fim antecipado do seu carnaval não passou de um impecilho que logo seria esquecido. Russo e Sabiá estavam voltando para casa de Pablo para os últimos dias de carnaval.
A bebida comprada para os quatro dias havia acabado no segundo, então tiveram que ir as compras mais uma vez.
A noite começou um pouco mais 'parada' que as anteriores, Pablo ainda não acreditava no que tinha acontecido e acreditava menos ainda que sua mãe não o tivesse matado. Mas aos poucos eles iam se soltando, conforme a cerveja ia acabando.
Uma jovem senhora de aproximadamente cinquenta anos veio dançando na direção de Pablo toda "serelepe" quando de repente ele ouve:
-Paaaablo, Quanto tempo!
Era uma garota que ele só havia visto uma vez na vida e que nem o nome sabia, o que fez ele ficar um pouco sem jeito e então ela complementou falando bem baixo:
-Eu só falei com você porque você ia pegar a minha mãe.
-Tá maluca? Eu só tava brincando, tu acha mesmo que eu ia pegar a sua mãe?!
Depois de trocar um pouco de cerveja por um selinho, Pablo apresentou Adriana e suas duas amigas ao resto do grupo.
Russo e Sabiá investiram pesado nas amigas de Adriana, Pablo se afastou um pouco afim de deixar com que eles se entendessem, o que por fim acabou acontecendo, mas antes que acontecesse uma "policial" chamou sua atenção.
- Eu fui um mal menino, me prende!- Experimentou ele.
- Se eu te prender não vai ter como soltar.
- Qual é seu nome?- Ele perguntou.
- Patrícia.
- Então só me da um beijo Patrícia!
- Porque seus amigos estão nos olhando?!
- Não faço a menor ideia.
- Eu te dou um beijo, mas vamos sair daqui!
Patrícia segurou a mão de Pablo e o levou consigo.
- Para onde estamos indo? - disse Pablo.
- Não sei, para onde quer ir?
- Eu estava indo mijar quando te encontrei. - Sim, ele disse isso!
- Então vamos!
- Não vai me algemar?
- Perdi as chaves, não vai ter como soltar, quer mesmo ser algemado?
- Quero correr esse risco.
Ela o algemou e foram para uma rua onde as pessoas de fato estavam mijando, mas não era bem isso que ele queria, andaram mais um pouco até que não houvesse mais ninguém e encontraram um beco mais aconchegante.
Pablo não conseguiu grandes coisas, mas foi até muito se levar em consideração onde estavam. O tal beco aconchegante não cheirava muito bem e algumas pessoas passavam olhando. Mas a brincadeira acabou mesmo quando o dono do carro que estavam sentados pediu que se retirassem para sair com o carro. Teve um pequeno problema para se soltar das algemas, o que acabou resultando em um par de algemas quebradas.
Sem raciocinar direito, Pablo concordou em levá-la no ponto de ônibus, mas depois de muito caminhar e raciocinar o quão longe era o ponto dela ele disse que só a levaria em uma rua que era próxima a sua casa, e quando chegou nessa rua:
- Eu só venho até aqui.
- Poxa, vai me deixar andar sozinha até lá?
- Me desculpa, mas eu não sou romântico e nem educado, já te trouxe até aqui e a rua até que está bem cheia, não vai ter perigo nenhum.
E assim o fez, se despediu e voltou literalmente correndo para o bloco. Não que estivesse perdendo minutos valiosos do seu carnaval, mas tinha esquecido completamente que Russo e Sabiá estavam bem longe de casa e iriam dormir em sua casa.
Depois de muito correr encontrou seus amigos já quase chegando no bloco, o suor devido à corrida fez com que seus amigos pensassem que a noite de Pablo tivesse sido excepcional, o que causou uma certa euforia no reencontro, mas logo as dúvidas foram sanadas e foram para casa dormir e esperar pelo derradeiro dia de carnaval.

O último dia de carnaval não teve nada de muito especial, Russo foi para outro bloco, Jorge saiu com uma menina muito bonita, Rafael voltou cedo para casa, Pablo conheceu Débora, a mais linda e última que ele ficou do carnaval e o resto tem menos relevância ainda.
Mas ainda havia todo o resto de uma semana sem aulas pela frente, nesses dias sim havia algo de bem especial o aguardando.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Querido diário de Pablo 4 [Carnaval]

Era manhã do primeiro dia de carnaval e Pablo não tinha grandes planos em mente, preferiu não viajar com seu irmão e ir pro mesmo lugar que ia todo os carnavais e que sempre prometia não voltar, não que ele não gostasse, mas depois de um certo número de carnavais no mesmo lugar acabava ficando chato.
Ele estava completamente sem dinheiro, só receberia uma semana depois do carnaval e sua mãe detestava lhe emprestar dinheiro para bebida. Foi então que ela chegou do mercado e comprou algo que comprava somente em ocasiões especiais, cerveja. Não era muita, na verdade não dava nem pra fazer uma pessoa cambalear, eram apenas duas latinhas de mousebier. Mas a quantidade não importava porque a cerveja não era para ele, ela lhe deu a única idéia que poderia tornar seu carnaval um pouco menos chato: comprar bebida e levar de casa! Como? Com o cartão de crédito que ela mesma havia lhe dado.
É claro que ele não levaria as cervejas na mão, então teve que comprar também uma bolsa térmica, o que reduziu bastante o número de bebida que poderia comprar, gelo o seu congelador faria. Ligou então para Rafael, Jorge e Douglas, um dos seus maiores amigos, e contou sobre a sua brilhante idéia, todos aprovaram e naquela mesma tarde foram às compras. Compraram o essencial, vodka e cerveja e ainda ficaram se perguntando se não estariam comprando bebida demais.
- Se sobrar a gente bebe depois,- Disse Pablo - o que não pode é faltar!
Estava tudo pronto para o carnaval, só faltava mesmo anoitecer, e antes que isso acontecesse seu telefone tocou.
-Koé Pablão, meu carnaval melou e eu to no rio, qual a boa de hoje?- Perguntou Davi.
-Eu e minha galera vamos aqui perto, não é como a zona sul mas já é alguma coisa.
-Então eu e Sabiá estamos indo pra aí!
-Tudo bem, mas tragam dois engradados porque estamos levando bebida de casa, se quiserem podem dormir aqui em casa.
-Beleza, até mais tarde.
Davi e Anderson, ou Russo e Sabiá como todos os chamavam, eram dois amigos que estudaram com Pablo no ensino médio, mas que ainda o acompanhavam em mesas de bares.
O grupo estava fechado e o carnaval começou, decidiram levar metade da cerveja que era para durar todo o carnaval apenas para garantir que não faltasse, o que deixou a bolsa um pouco pesadíssima, mas para cada problema há uma solução e a desse era não ficar com as mãos vazias.
A bolsa foi esvaziando numa velocidade incrível, o que fez com que chegassem lá já um tanto quanto animados.
Não estava muito cheio, chovia aquela noite, mas ao que parecia não era problema para nenhum dos seis. Se divertiam como nunca antes haviam feito, parecia que só ali, já dando adeus a suas adolescências, no mesmo lugar de quase todos os anos anteriores que perceberam o verdadeiro significado de carnaval.
Pablo então conhecera a Carol, a primeira do carnaval e única daquele dia, seus amigos disseram que era muito bonita, ele mesmo nem sabia, havia bebido além da conta, estava de óculos escuros e encharcados ainda por cima, mas mesmo que fosse feia, era carnaval!
Mesmo com toda improbabilidade toda cerveja que levaram acabou, por sorte, já que ninguém queria ter um coma alcoólico. E às duas horas da manhã a musica parou para a infelicidade de todos, então foram forçados a vagar lentos e tortuosos para suas casas.
Era apenas o primeiro dia de carnaval, mas estavam certos de que seria o melhor de suas vidas.

O segundo dia começou como todo dia após uma noite de exageros, "nunca mais vou beber" era o que todos diziam, mas ninguém é louco ou lúcido o suficiente para cumprir tal promessa, então lá foram eles, dessa vez sem Russo e Sabiá que haviam ido embora prometendo voltar no dia seguinte, mas com a mesma bolsa, a mesma quantidade de bebida -a outra metade- e o mesmo plano: esvaziar o mais rápido possível para deixar mais leve.
Como todo bom plano, este estava funcionando bem e chegaram mais uma vez felizes e contentes para mais uma noite de folia, dessa vez um pouco mais cheia já que não estava chovendo.
Sem dúvidas foi o dia mais marcante do carnaval, pelo menos para Pablo, além de ser o dia que mais saiu com garotas, chegou ao "incrível" marco de duas,Julia e Josy, antes que a música cessasse às duas da manhã, após as duas encontrou a única pessoa que não gostaria encontrar, não enquanto estivesse sóbrio, mas não estava, naquela noite além da cerveja beberam também a garrafa de vodka e Pablo já não raciocinava direito. Antes que percebesse já estavam se beijando, Pablo encontrara Jéssica.
Ela estava em estado igual ao dele, senão pior. E já que encontrara ao final da festa teve a única idéia que qualquer bêbado no seu lugar poderia ter: "Vou levá-la para casa... a minha casa.".
Foi o que fez, não com muita facilidade, já que os dois se arrastavam pelas ruas, levaram quase duas horas em um caminho que facilmente é percorrido por uma idosa com artrite em vinte minutos.
Enfim chegaram, e Jéssica perguntou:
-Tem camisinha?
Pablo apenas fez que sim com um sorriso de quem esperava por aquela pergunta.
A mãe de Pablo não tolerava a presença de "ficantes" em casa, então ele fez o máximo possível para não acordá-la, o que não funcionou muito bem já que quando ele subiu para pegar a camisinha ela perguntou:
-Quebrou alguma coisa lá embaixo?
-Quase isso.- Respondeu ele sem pensar bem nas conseqüências dela levantar para averiguar, o que não aconteceu por uma sorte quase divina.
As coisas correram quase como o planejado, Pablo conseguiu fazer com que Jéssica voltasse para casa antes que sua mãe resolvesse descer e acabar com sua vida. Mas nem tudo correuperfeitamente bem.
Um cigarro pertencente à Jéssica caiu no chão da sala, o que já traria muitos problemas, mas não era um cigarro comum, era provavelmente o maior baseado que Pablo veria na vida. O problema é que ele não viu naquela noite e quando viu ele já estava nas mãos da sua mãe que àquela altura já fazia as maiores juras de desgosto de sua vida...

Alguns Traumas.

Já faz alguns anos que eu conheci a L, uma menina quase bonita, com um lindo corpo que chamou muito minha atenção. Eu nunca fui muito de namorar e nunca tive relacionamentos mais duradouros que uma semana. Ela morava longe e passava curtos prazos na casa dos tios, que era perto da minha casa. As pessoas comentavam que ela estava me dando condições e não demorou muito começamos a sair.
Por falta de experiência e bastante infantilidade eu nunca me sentia bem com compromissos, e eu comecei a me sentir um tanto sufocado por estar saindo com alguém que estivesse tão perto da minha casa (ela passaria a semana toda na casa dos seus tios). Então por um surto de infantilidade e covardia, comecei a fugir desesperadamente e paramos de ficar. Foi difícil, mas como tirar um grande peso das costas.
Mesmo morando longe, suas visitas à casa dos tios estava cada vez mais freqüentes e acabamos voltando a sair. Dessa vez ela trazia uma notícia nova, estava namorando, mas o que parecia ser um grande problema virou solução, eu gostei muito de saber daquilo, era a barreira ideal para evitar compromissos.
O que parecia um curto lance de carnaval foi se prolongando e acabamos ficando pelos três anos seguintes e ela teve três namorados diferentes nesse período. Não tenho nada a reclamar do nosso caso casual, mas isso me mudou de tal forma que me traz muitos arrependimentos, ela não teve culpa nenhuma.
Enquanto eu saia com ela eu fui endurecendo a tal ponto que cheguei a desacreditar no amor, não sentia ciúmes porque me sentia em uma posição "privilegiada" e de tanto ouvir as desculpas que ela dava para o namorado, sobre as brigas que eles tinham e as mentiras que contava perdi uma certa inocência que é essencial para um bom relacionamento.
Hoje em dia tenho dificuldade de acreditar nas pessoas, consigo reconhecer uma mentira com mais facilidade e até confundir o que não é mentira como se fosse uma.
Desde então, eu fui o outro de muitas outras, e ainda sou. Mas só depois que percebi esses traumas passei a não me sentir bem com isso.
Passamos metade da vida querendo ser o que não somos e a outra metade querendo voltas a ser o que eramos.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Terça não é dia de praia!

Hoje foi de longe o pior dia de 2011, ontem eu estava tomado pelo tédio, então chamei minha ex melhor amiga para praia, até então ela era a atual, mas ela demorou tanto a responder que desisti, e por experiência própria não achei uma boa idéia ir sozinho. Mas quando ela respondeu me convidou para ir hoje pela manhã (no caso ontem já que já passa de meia noite) com seu namorado, sua amiga e o namorado da tal, sim eu estava disposto a segurar duas belas velas, até porque o que eu queria era praia.
O dia começou e ela mudou a praia para depois do almoço para gastar menos dinheiro. Ela almoçou e foi na frente, como eu iria de moto saí de casa quase uma hora depois. Antes de sair de casa eu liguei para ela e marquei exatamente em frente ao posto cinco para não haver desencontro já que ambos estávamos sem crédito e então ela me deu o número do seu namorado que era da mesma operadora que o meu, o que facilitava muito as coisas porque eu tinha "bônus".
Saí de casa e trinta minutos depois estava em frente ao posto cinco na companhia de muitos desconhecidos, quem deveria mesmo estar não estava, então peguei o celular e liguei para o tal numero do namorado mas não fui atendido. Pensei:
-Devem estar tomando banho, vou dar um tempo para que vejam a chamada perdida.- E fui tomar banho de mar.
Quando voltei vi que não haviam retornado, liguei mais uma vez sem sucesso e resolvi começar a ler o livro que havia levado para o caso de um improbabilíssimo desencontro.
Li dois capítulos e voltei a ligar, mas nada de respostas. Depois de uma longa hora e trinta minutos resolvi ir até o posto seis - não imaginava que era tão longe.
Cheguei lá e nada, mas na volta tive a agradável surpresa de encontrá-la. Estava apenas com o namorado, rindo de algo que pouco me importa. Só que o longo tempo sozinho mais a longa caminhada era tempo suficiente para deduzir muita coisa.
Ficaram cerca de duas horas sem olhar a porra do telefone pra ver se o otário que disse estar a caminho havia dado notícia, não estavam onde deveriam estar e a primeira coisa que ela disse ao me ver foi:
- Como você encontrou a gente?
"'Como você encontrou a gente?' como assim? Não era para encontrar? que espécie de filha da puta é você que chama alguém à praia e deixa essa pessoa sozinha?" pensei.
Mas ao contrário de me transtornar apenas cumprimentei, ouvi cerca de vinte segundos de desculpas e me despedi. Não lembro bem o que disse, mas em algum lugar tinha a frase "Tô muito puto!".
Disse que ia embora, mas preferi voltar para a solidão do posto cinco. Não há lugar melhor para pensar na vida do que a praia.
Depois de algum tempo consegui ficar mais tranqüilo, e peguei minhas coisas para ir embora, liguei para minha mãe e perguntei se poderia usar seu cartão para comer em um fast food, ela deixou, fácil de mais até.
Chegando lá fui recebido por uma sorridente atendente que disse "Só estamos aceitando pagamento em dinheiro". Contei até o número mais alto que consegui, agradeci e saí.
Chegando em casa chamei um amigo para comer em um podrão, Fazia cerca de dezessete dias que não chovia no Rio, pois é, choveu hoje.
Chegando no podrão todo molhado descobri que também não estavam aceitando cartão, "normal" você deve estar pensando, mas aquele podrão é o único da região que aceita e excepcionalmente hoje não estava.
Gastei os dez reais que tinha na carteira para cortar o cabelo. Ao menos o sanduíche estava bom e ainda não passei mal.
Mas ainda estou querendo cortar o cabelo.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Querido diário de Pablo 3 [Copacabana]

Era o último dia de aula de Pablo naquela escola, estava terminando o ensino médio e ele fora lá para acertar alguns pequenos problemas com suas notas e como era de costume beber com seus amigos, mas como também era de costume eles não apareceram.
Pablo então tentou se enturmar com a outra parte da turma, que ironia, teve três longos anos para fazer isso e no último dia no último ano que ele tenta. No começo não deu muito certo, assistiu a um amigo oculto do qual não fora convidado a participar e roubou alguns bombons que Patrícia, a única garota dali com quem conseguia manter um diálogo com mais de 4 frases, havia ganhado na brincadeira.
Dali eles foram para o "Foda-se", uma rua apelidada assim por acontecer de tudo nela, e é claro, haviam muitos bares lá.
Ao fim da primeira garrafa da vodka mais barata que conseguiram comprar Pablo já estava enturmado, falava de sua vida como se estivesse conversando com amigos de infância, de fato viraram grandes amigos, mas a noite só estava começando.
Tayana, com quem Pablo nunca falara mais que um "oi" até aquele dia, recebeu um telefonema de sua mãe avisando que ela passou em um concurso que queria muito, e é óbvio, ela queria comemorar.
Pablo já ficara quase sem dinheiro com a compra da vodka mas a felicidade de Tayana era tanta que ela se propôs a bancar a companhia dos seus amigos.
Pegaram então um ônibus para Copacabana. Ainda no ônibus entrou um rapaz pela porta de trás com um violão e começou a tocar uma música que deixou Pablo tão embasbacado que ele deu todo o resto do dinheiro para o sujeito. Depois descobriu que era uma musica do Raul Seixas -claro, ninguém que compusesse uma música daquelas tocaria em um ônibus.
Chegaram em Copa e foram para um quiosque de praia, beberam algumas caipirinhas, falaram coisas das quais se arrependeriam depois e foi então que chegou um Playboy, amigo de Tayana, convidando todos para uma social em sua casa, seus pais haviam viajado.
É claro que nenhum bêbado seria louco de negar uma dessas. E foram todos para a tal social.
No caminho Pablo viu que o novo integrante do grupo estava conversando muito com Patrícia, e pior percebeu que ele mesmo estava se sentindo atraido por ela.
Chegaram lá e perceberam que a social era composta apenas pelos filhos dos donos da casa e por eles mesmos. Patrícia e o tal Playboy foram conversar um pouco destacados, mas Pablo não era bobo, se não fizesse nada perderia a garota e se fizesse alguma coisa, bem, o máximo que poderia acontecer era perder a garota mesmo.
Com o maior espírito de "empata foda" se juntou ao casal para conversar, a princípio foi um pouco evitado, mas com o tempo viram que o inconveniente não iria se mancar então ficaram conversando os três.
Já passavam das duas horas e Pablo dissera para sua mãe que ia "sair com os amigos" sem grandes explicações, foi então que sua mãe ligou exigindo que ele fosse para casa naquele instante, ele disse que obedeceria, mas assim que desligou o telefone pensou "puta que pariu, não tenho dinheiro para ir pra casa!" sua sorte foi que ele pensou tão alto que seu concorrente ouviu e certamente teve a brilhante idéia "vou dar dinheiro para ele voltar para casa e enfim fico com ela".
-Esquenta com isso não, toma aqui velho.- ofereceu cinco reais a Pablo.
-Caralho, quebrou um galhão agora.- e pegou o dinheiro sem pensar - Vamos Patrícia?!
Por essa o Playboy não esperava, ela aceitou ir embora com ele.
Pablo ficou com a Patrícia dentro de um ônibus, só lembra que era amarelo, nem sabia ao certo pra onde estava indo mas conseguiu chegar em casa.
Foi a primeira vez que ele ganhou dinheiro para beber e ficar com alguém.
Noite memorável.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Querido diário de Pablo 2 [Os outros]

Os primeiros dias do ano estavam prometendo um ano espetacular, estava vendo Jéssica quase todos os dias e saindo muito com Rafael, Jorge e Sandro, seu melhor amigo na infância que se mudara para o sul e estava passando as férias no Rio.
Estava tudo perfeito, perfeito de mais, e como diz o ditado "se melhorar estraga": Melhorou e estragou.
Lá pro décimo dia do ano Pablo já não estava muito feliz, sempre foi uma pessoa que detesta rotina e controle e para uma pessoa que não gosta de ser controlado que um relacionamento sério. Jéssica começou tocar no tema toda vez que se viam -e ainda se viam todos os dias- e ele sempre tentava se esquivar com boas desculpas ideológicas.
Até que em uma madrugada seu telefone tocou com um número desconhecido, os três primeiros dígitos eram familiares, mas fazia tanto tempo que não se viam que ele achou improvável, quando atendeu viu que o improvável estava acontecendo.
- Alo?
- Alo, Pablo?
- Vera?
- Te acordei?
- Não, eu não estava conseguindo dormir mesmo, tudo bom?
- Estou com saudades!
- Pensei que nunca mais te veria. - disse ele.
- Prometi para mim nunca mais te ligar, mas fiquei com saudades.
- Que bom que ligou!
- Preciso te ver o mais rápido possível!
- Tenho que te contar uma coisa... estou ficando com a Jéssica.
Ela ficou em silêncio, eram grandes amigas.
- Mas também quero muito te ver.- Concluiu pablo.
Continuaram conversando até quase o sol nascer, não se viam a mais de seis meses. Vera era uma jovem menina que ele conheceu em uma festa, ela tinha um namorado chamado Ian , tiveram um curto caso enquanto ela namorava e desde então não se viam.
Marcaram de se encontrar no dia seguinte, Pablo deu uma desculpa qualquer para Jéssica para não vê-la aquele dia e foram para um lugar onde ninguém os conhecessem. Ficaram a tarde inteira juntos, Pablo não sabia porque, mas gostava muito dela, seu sorriso parecia muito sincero, e ela sabia exatamente o que dizer para mexer com ele.
Não se viram mais, ele fez o que pode para encontrá-la mais uma vez mas tudo que conseguiu foi falar com Ian por alguns segundos no telefone:
- Alô, Vera?
- Alô, quem ta falando?!
- ...
Pablo então achou melhor reformular sua vida, não gostava do que estava fazendo com Jéssica e sabia que não teria futuro com Vera, então decidiu mudar. Parar o que nem havia começado com Jéssica, esquecer Vera e tocar sua vida.
Pablo nunca fora covarde, não tinha medo de ficar sozinho. A solidão lhe era a melhor companheira nas horas de reflexão.

Aguardo notícias, Pablo. ;]